Anais CBFic - Volume 1 - 2018

Sociedade Brasileira de Ficologia - SBFic

Publicado em 26/11/2018

Volume 1 - 2019

Título do Trabalho

GêNERO MICROCYSTIS (CYANOBACTERIA, MICROCYSTACEAE) NA VáRZEA DO CURUAí: FLORíSTICA E DISTRIBUIçãO GEOGRáFICA

Autores

JOICE LARA DAMACENA SANTOS, LUIS CARLOS PRADO, MARIA TEREZA MORAIS PEREIRA SOUZA LOBO, INA DE SOUZA NOGUEIRA, MARIE-PAULE BONNET

Modalidade

Resumo

Área Temática

1 BIODIVERSIDADE, FILOGENIA E ECOFISIOLOGIA

Data de Publicação

26/11/2018

País da Publicação

Brasil

Idioma da Publicação

Português

Página do Trabalho

http://sbfic.org.br/anais_show/89

ISSN

Aguardando...

Palavras-Chave

Planície de inundação, Períodos hidrológicos, Cyanobacteria

Resumo

Microcystis Kütz ex Lemm. é um gênero conhecido por suas estratégias adaptativas, como presença de aerótopos, produção de toxinas e florações em ambientes eutrofizados. Organismos coloniais, envoltos por bainha mucilaginosa, reprodução por divisão em 3 planos e hábito planctônico. Atualmente apresentam 29 espécies incluindo o tipo do gênero Microcystis aeruginosa (Kütz.) Kütz. Destas, até o momento apenas 5 foram registradas para a várzea do Curuaí. O objetivo do trabalho foi inventariar e verificar a distribuição do gênero Microcystis em uma várzea amazônica. A amostragem foi realizada em 24 pontos na enchente e 26 na vazante (março e setembro/2013, respectivamente) abrangendo sete lagos principais da Várzea de Curuaí (Pará, Brasil). O material foi coletado utilizando rede de plâncton de 25 µm, fixado em solução Transeau, foram analisadas pelo menos 10 lâminas de cada ponto, em aumento de 400x a 1000x, com uso de nanquim para verificar a presença e extensão da bainha mucilaginosa, utilizando microscópio óptico Zeiss Axioscop40, com sistema de captura de imagem acoplado com câmera digital AxiocamHRc, as características métricas foram obtidas com software de imagem AxioVisionRel 4.8 e foi feita uma análise da frequência de ocorrência das espécies do gênero. O sistema de classificação e a identificação dos táxons utilizou-se literatura específica e atualizada. Foram registradas 12 espécies, 8 na enchente e 9 na vazante. Durante a enchente, M. protocystis W.B. Crow, M. smithii Kom. & Anagn. e M. aeruginosa foram espécies consideradas de comum ocorrência, e as demais de ocorrência rara. Na vazante, M. wesenbergii (Kom.)Kom. ex Kond. foi uma espécie constante enquanto que M. aeruginosa e M. protocystis de comum ocorrência na várzea. Os lagos Piraquara (5 espécies) e Grande (4) apresentaram as maiores riquezas específicas durante a enchente. Já na vazante, duas unidades amostrais no Lago Grande registraram quatro táxons cada uma. Nesse período, a distribuição das espécies esteve concentrada no Lago Grande (64% das ocorrências). Foi observada uma maior homogeneidade na distribuição dos táxons durante a enchente provavelmente devido a conectividade dos lagos nesse período. O presente trabalho corroborou com o informado na literatura e indicou a ocorrência de espécies que até então não apresentavam distribuição na várzea do Curuaí. A partir deste estudo, sugere-se pesquisas mais aprofundadas acerca da biodiversidade e da ecologia dessas cianobactérias em outras várzeas amazônicas e também sobre a toxicologia desses táxons, considerando os múltiplos usos da água e a dependência desses lagos por parte da população ribeirinha.