Anais CBFic - Volume 1 - 2018

Sociedade Brasileira de Ficologia - SBFic

Publicado em 26/11/2018

Volume 1 - 2019

Título do Trabalho

COMPLEXIDADE ESTRUTURAL DAS MACROALGAS COMO FATOR ESTRUTURANTE DA FAUNA ASSOCIADA

Autores

FELIPE DE OLIVEIRA FERNANDES, JúLIA FANNY DE JESUS RESENDE, MARCELLE STEPHANNE BARBOSA DA SILVA, ELIANE MARINHO-SORIANO

Modalidade

Resumo

Área Temática

1 BIODIVERSIDADE, FILOGENIA E ECOFISIOLOGIA

Data de Publicação

26/11/2018

País da Publicação

Brasil

Idioma da Publicação

Português

Página do Trabalho

http://sbfic.org.br/anais_show/81

ISSN

Aguardando...

Palavras-Chave

Morfologia; animais acompanhantes; Caulerpa; Gelidium; Dictyopteris

Resumo

As macroalgas oferecem diversos serviços para a fauna associada (proteção contra condições abióticas estressantes, substrato e retenção de detritos). Contudo, essas funções diferem tanto entre as espécies de macroalgas como a importância varia de acordo com o grupo faunístico e a posição trófica. Neste sentido, este trabalho teve como objetivo avaliar como a complexidade estrutural das macroalgas influencia aspectos ecológicos da fauna associada. Para isso, três espécies de macroalgas (Caulerpa racemosa, Dictyopteris delicatula e Gelidium coarctatum) foram coletadas na Praia de Búzios/RN (6°00’22” S – 35°06’23” O), a fim de identificar e contabilizar a fauna associada em cada espécie de macroalga. Aspectos ecológicos dos animais, como riqueza, abundância padronizada pelo volume, diversidade e composição, foram avaliados. A complexidade estrutural foi obtida através da área fractal (espaços entre as ramificações) e do perímetro fractal (nível de contorno da macroalga). Foram contabilizados 2753 indivíduos, dos quais 1151 foram registrados em C. racemosa, 1010 em D. delicatula e 592 em G. coarctatum. Não foram verificadas diferenças para riqueza e diversidade entre C. racemosa (S = 8 ± 1; H’ = 1,38 ± 0,26), D. delicatula (S = 7 ± 3; H’ = 1,47 ± 0,27) e G. coarctatum (S = 6 ± 2; H’ = 1,24 ± 0,34). No entanto, a abundância padronizada foi superior em G. coarctatum (7,50 ± 0,86 indivíduos/mL) em relação a C. racemosa (3,08 ± 0,56 indivíduos/mL) (F2,27 = 4,97; p = 0,016). A maior área fractal de C. racemosa (1,83 ± 0,01) em relação a G. coarctatum (1,70 ± 0,03) deve ter limitado a quantidade de organismos que poderiam utilizá-la, uma vez que espaços menores restringem o número de animais que podem ocupá-los. Houve uma correlação negativa entre a abundância padronizada e a área fractal (r: -0,43; p = 0,0193). Em contrapartida, o maior perímetro fractal de G. coarctatum (1,65 ± 0,01) em relação a C. racemosa (1,39 ± 0,03) deve ter amenizado a ação das ondas, permitindo que um maior número de animais pudesse estabelecer-se. Houve uma correlação positiva entre a abundância padronizada e o perímetro fractal (r: 0,37; p = 0,0423). Em relação à composição, alguns grupos, como Tanaidacea, Polychaeta e Isopoda, estiveram mais relacionados com C. racemosa, D. delicatula e G. coarctatum, respectivamente, o que provavelmente se deve às diferentes capacidades de retenção de sedimento. Os resultados deste estudo indicam que as diferentes complexidades estruturais das macroalgas influenciam diretamente sobre aspectos ecológicos da fauna associada.