Anais CBFic - Volume 1 - 2018

Sociedade Brasileira de Ficologia - SBFic

Publicado em 26/11/2018

Volume 1 - 2019

Título do Trabalho

O DILEMA DE ESPéCIE: UM ESTUDO DE CASO COM O GêNERO HYPNEA (GIGARTINALES, RHODOPHYTA) UTILIZANDO O CONCEITO BIOLóGICO DE ESPéCIE PARA VERIFICAR A DIVERGêNCIA DE MARCADORES MOLECULARES DO DNA.

Autores

FáBIO NAUER, ESTELA MARIA PLASTINO, MARIANA CABRAL DE OLIVEIRA

Modalidade

Resumo

Área Temática

1 BIODIVERSIDADE, FILOGENIA E ECOFISIOLOGIA

Data de Publicação

26/11/2018

País da Publicação

Brasil

Idioma da Publicação

Português

Página do Trabalho

http://sbfic.org.br/anais_show/8

ISSN

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Palavras-Chave

Conceito de espécie, Cruzamento, Diversidade, Hypnea, Rhodophyta

Resumo

O gênero Hypnea Lamouroux (1813) apresenta grande importância ecológica e econômica como matéria prima para a produção de carragenana, com ampla distribuição geográfica em águas tropicais e sub-tropicais ao redor do mundo. No entanto, a identificação das espécies de Hypnea com base apenas em dados morfológicos é dificultada devido à plasticidade fenotípica presente neste grupo e sua morfologia relativamente simples. Estudos com base no marcador de DNA COI-5P e no gene plastidial rbcL (usados para estabelecer o conceito filogenético de espécie), foram realizados no Brasil e H. pseudomusciformis foi descrita recentemente para acomodar três espécies ocorrentes na costa brasileira: H. musciformis, H. nigrescens e H. valentiae. No entanto, dados moleculares separam H. pseudomusciformis em dois sub-clados, um clado referente a espécimes de populações do Nordeste e outro referente a populações do Sudeste e Sul. Neste estudo, foram feitos testes de cruzamento entre os variantes morfológicos “musciformis” e “nigrescens” de H. pseudomusciformis coletados em São Paulo e entre “musciformis” de São Paulo e Bahia, para validar a hipótese de que essas variantes correspondem a uma única espécie, utilizando o conceito biológico de espécie. As algas foram coletadas, isoladas e mantidas em cultura unialgal. Nos testes entre variantes morfológicos “musciformis” e “nigrescens” de H. pseudomusciformis, três gametófitos masculinos e três gametófitos femininos foram usados e cistocarpos foram observados em todos os gametófitos. Carpósporos foram liberados, geraram tetrásporófitos que se tornaram férteis e após a liberação de tetrásporos, novos gametófitos foram obtidos. Assim, nossos resultados confirmam os dados moleculares que mostram que essas variantes morfológicas pertencem à mesma espécie. Nos testes entre linhagens de São Paulo e Bahia, apesar de cistocarpos também terem sido observados, não houve germinação de carpósporos e o ciclo de vida não se completou. Dados de cruzamentos com linhagens de distintas localidades geográficas de H. pseudomusciformis indicam então a separação em duas espécies, sendo H. pseudomusciformis restrita ao Sudeste e Sul do país e H. sp. 1 restrita ao Nordeste. A identificação de espécimes com base apenas em características morfológicas mostrou-se insatisfatória principalmente devido à plasticidade fenotípica nessa espécie. A técnica de DNA barcoding e testes de cruzamento foram essenciais para a identificação e definição de espécies, revelando cenários que passariam despercebidos utilizando apenas morfologia.