Anais CBFic - Volume 1 - 2018

Sociedade Brasileira de Ficologia - SBFic

Publicado em 26/11/2018

Volume 1 - 2019

Título do Trabalho

INTERAçõES ALELOPáTICAS MúTUAS ENTRE CEPAS TóXICAS E NãO TóXICAS DA CIANOBACTéRIA MICROCYSTIS AERUGINOSA KüTZ. E A MACRóFITA AQUáTICA EGERIA DENSA PLANCH.

Autores

CIHELIO ALVES AMORIM, ARIADNE DO NASCIMENTO MOURA

Modalidade

Resumo

Área Temática

1 BIODIVERSIDADE, FILOGENIA E ECOFISIOLOGIA

Data de Publicação

26/11/2018

País da Publicação

Brasil

Idioma da Publicação

Português

Página do Trabalho

http://sbfic.org.br/anais_show/68

ISSN

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Palavras-Chave

Alelopatia; Estresse oxidativo; Florações de cianobactérias; Macrófitas submersas; Microcistinas.

Resumo

Macrófitas submersas são importantes para a manutenção da qualidade da água, pois liberam substâncias alelopáticas capazes de inibir o crescimento fitoplanctônico. Por outro lado, em ambientes com florações de cianobactérias, as cianotoxinas podem afetar negativamente as macrófitas, causando estresse oxidativo e reduzindo o seu crescimento. Com o objetivo de elucidar as relações alelopáticas entre cianobactérias e macrófitas submersas, nós testamos duas hipóteses: a liberação de aleloquímicos por Egeria densa Planch. reduz a biomassa de cepas tóxicas e não tóxicas de Microcystis aeruginosa Kütz.; e cepas tóxicas de M. aeruginosa inibem o crescimento de E. densa, além de ocasionar estresse oxidativo a essas plantas. Para testar estas hipóteses, foi realizado um experimento laboratorial de coexistência entre a macrófita aquática e duas cepas de M. aeruginosa, uma produtora de microcistinas - NPLJ-4 (MC+) e outra não produtora - BCCUSP29 (MC-). Os experimentos foram conduzidos em erlenmeyers contendo 800 mL de meio de cultivo ASM1 em uma sala climatizada com condições controladas de luz e temperatura durante 14 dias. Foram empregados cinco tratamentos com três réplicas cada, dois de coexistência entre a macrófita e as cepas de Microcystis, dois controles com as cepas e um controle com E. densa. Nós verificamos a influência de E. densa sobre a biomassa das cepas, além das respostas fisiológicas e de crescimento de E. densa cultivadas com as cepas MC+ e MC-, verificando-se peroxidação lipídica, produção de peróxido de hidrogênio, alteração nos pigmentos fotossintéticos e atividade das enzimas superóxido dismutase, catalase e ascorbato peroxidase (APX). A cepa MC+ foi significativamente inibida quando cultivada com E. densa, enquanto que MC- exibiu uma resposta contrária, havendo estímulo do seu crescimento. O crescimento e biomassa de E. densa foram inibidos quando em cultivo com a cepa MC+, com poucas alterações quando cultivadas com MC-. Ambas as cepas causaram uma redução nos teores de clorofilas a e b, bem como um incremento dos carotenoides em E. densa. Plantas cultivadas com MC+ apresentaram altas taxas de peroxidação lipídica e atividade enzimática, especialmente da APX. Nossos resultados mostram que existem interações alelopáticas mútuas entre Microcystis e E. densa. No entanto, E. densa necessita de um estímulo para liberar os aleloquímicos, como por exemplo o estresse ocasionado pelas microcistinas. A planta testada possui mecanismos de defesa enzimáticos que lhes permite coexistir com as microcistinas a curto prazo, entretanto, exposições prolongadas às cepas tóxicas de Microcystis causam uma redução no crescimento da planta.