Anais CBFic - Volume 1 - 2018

Sociedade Brasileira de Ficologia - SBFic

Publicado em 26/11/2018

Volume 1 - 2019

Título do Trabalho

INFLUêNCIA DO CLIMA SOBRE A DOMINâNCIA DE CIANOBACTéRIAS EM RESERVATóRIOS TROPICAIS, NORDESTE DO BRASIL

Autores

CIHELIO ALVES AMORIM, ARIADNE DO NASCIMENTO MOURA

Modalidade

Resumo

Área Temática

1 BIODIVERSIDADE, FILOGENIA E ECOFISIOLOGIA

Data de Publicação

26/11/2018

País da Publicação

Brasil

Idioma da Publicação

Português

Página do Trabalho

http://sbfic.org.br/anais_show/67

ISSN

Aguardando...

Palavras-Chave

Florações de cianobactérias; Microcystis; Mudanças Climáticas; Semiárido.

Resumo

A eutrofização e as mudanças climáticas favorecem a dominância de cianobactérias em ecossistemas aquáticos, colocando em risco as demais comunidades e a saúde humana por terem a capacidade de liberar cianotoxinas. Nas últimas décadas, alterações no clima, como elevação na temperatura, aumento da incidência luminosa, mudanças nos padrões de precipitação e velocidade do vento, tem intensificado as florações de cianobactérias, especialmente nos trópicos. Diante disso, este trabalho visou entender quais fatores favorecem a dominância de cianobactérias em ecossistemas aquáticos tropicais. O estudo foi desenvolvido em oito reservatórios de abastecimento público com diferentes condições climáticas e de eutrofização nas regiões Zona da Mata (4), Agreste (2) e Sertão (2) de Pernambuco. Foram realizadas coletas trimestrais entre outubro de 2017 e setembro de 2018 para acompanhamento da biomassa das cianobactérias, clorofila a, variáveis físico-químicas, como pH, oxigênio dissolvido, condutividade elétrica, salinidade, transparência, temperatura da água e zona de mistura, condições climáticas, como temperatura do ar, precipitação, velocidade do vento, umidade e radiação solar, além da localização geográfica e altitude dos ambientes estudados. Para verificar a relação entre as cianobactérias e as variáveis estudadas, foi realizada uma análise de correspondência canônica (CCA). Os reservatórios estudados variaram de oligotrófico (Cursaí), mesotróficos (Cachoeira e Carpina), eutróficos (Cajueiro e Goitá) e hipereutróficos (Mundaú, Serrinha e Tapacurá). Foram identificadas 35 espécies de cianobactérias pertencentes às quatro principais ordens: Synechococcales (4), Chroococcales (21), Oscillatoriales (4) e Nostocales (6). O gênero Microcystis esteve representado por sete morfoespécies. Florações de cianobactérias foram registradas em Tapacurá, Cajueiro, Mundaú e Serrinha, compostas principalmente pelas espécies Microcystis aeruginosa Kützing, M. flosaquae Kirchner, M. panniformis Komárek et al., M. protocystis W.B.Crow, Anabaenopsis elenkinii V.V.Miller, Cylindrospermopsis raciborskii Seenayya & Subba Raju, Geitlerinema amphibium Anagnostidis e Sphaerospermopsis aphanizomenoides Zapomelová et al., as quais foram dominantes e/ou abundantes. As biomassas totais variaram de 0,0005 (Goitá) a 200,24 mg L-1 (Mundaú), sendo que maiores valores foram registrados nos ambientes do Agreste, seguidos do Sertão e da Zona da Mata. As variáveis selecionadas explicaram 63,36% da variabilidade na biomassa das cianobactérias, com destaque para as variáveis relacionadas ou influenciadas pelo clima, como transparência, temperatura da água, radiação solar e velocidade do vento, além da altitude, longitude, profundidade e clorofila a, as quais foram as principais preditoras da dominância de cianobactérias. Neste estudo, nós verificamos uma significativa participação das variáveis climáticas na explicação da dominância de cianobactérias em ecossistemas aquáticos tropicais.