Anais CBFic - Volume 1 - 2018

Sociedade Brasileira de Ficologia - SBFic

Publicado em 26/11/2018

Volume 1 - 2019

Título do Trabalho

BIODIVERSIDADE DE ALGAS E CIANOBACTéRIAS DE AMBIENTES FITOTELMATAS BROMELíCOLAS DE DIFERENTES FITOFISIONOMIAS DO ESTADO DA BAHIA, NORDESTE DO BRASIL

Autores

GERALDO JOSé PEIXOTO RAMOS, CARLOS EDUARDO DE MATTOS BICUDO, LUIS HENRIQUE ZANINI BRANCO, CARLOS WALLACE DO NASCIMENTO MOURA

Modalidade

Resumo

Área Temática

1 BIODIVERSIDADE, FILOGENIA E ECOFISIOLOGIA

Data de Publicação

26/11/2018

País da Publicação

Brasil

Idioma da Publicação

Português

Página do Trabalho

http://sbfic.org.br/anais_show/4

ISSN

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Palavras-Chave

algas; biodiversidade; bromélias; cianobactérias; ecologia; fitotelmo; taxonomia

Resumo

Os ambientes fitotelmatas referem-se à pequenos corpos aquáticos formados em cavidades de plantas terrestres, capazes de manter uma biota associada, sendo as bromélias um dos principais exemplos desse tipo de ambiente. O conhecimento acerca de algas e cianobactérias nesses microcosmos é escasso, seja em relação à diversidade, ecologia ou padrões de distribuição. No presente estudo, investigamos as comunidades de algas e cianobactérias ocorrentes em quatro espécies de bromélias (Alcantarea nahoumii, Aechmea cf. lingulatoides, Hohenbergia littoralis, H. stellata) de diferentes fitofisionomias (Caatinga, Restinga, Mata Atlântica e afloramentos rochosos graníticos) no estado da Bahia, Brasil, destacando a composição, riqueza, diversidade dos táxons, frequência de ocorrência, além de alguns aspectos ecológicos. O material ficológico foi coletado nos tanques das bromélias com o auxílio uma mangueira plástica acoplada em uma seringa de 50 mL. As amostragens foram realizadas trimestralmente entre 2014 e 2016 e as características morfométricas das bromélias (número de folhas, altura e diâmetro) e as variáveis abióticas da água (temperatura, pH, condutividade, TDS e oxigênio dissolvido) foram mensuradas. Nas quatro espécies de bromélias estudadas foram registrados 89 táxons de algas e cianobactérias distribuídos em nove classes taxonômicas: Zygnematophyceae (27% do total), Cyanophyceae (24%), Chlorophyceae (21%), Euglenophyceae (12%), Trebouxiophyceae (7%), Bacillariophyceae (4%), Chrysophyceae (2%), Dinophyceae e Klebsormidiophyceae (1% cada). Dentre os principais táxons destacam-se Cosmarium pseudoamoenum var. jiboensis, C. bahianum, C. bromelicola, C. oliveirae, Spirotaenia filiformis e Staurastrum pseudoteliferum que constituem novidades taxonômicas para a ciência. A maioria dos táxons foram considerados como raros (46%), seguidos de pouco frequentes (35%), frequentes (15%) e muito frequentes (4%). Além disso, há novos registros para a hemisfério sul (2 táxons), América do Sul (7), Brasil (4) e Nordeste do Brasil (20), evidenciando uma comunidade ficológica pouco conhecida. As comunidades algais das bromélias estudadas são bastante diferentes, apresentando apenas uma espécie (Phacus polytrophos) de comum ocorrência. Alcantarea nahoumii foi a bromélia que apresentou a maior complexidade em relação à arquitetura foliar e isso, aliado a outros fatores como alta luminosidade, possivelmente, contribuiu para a alta diversidade taxonômica de algas e cianobactérias (73) em seus tanques. A conservação das bromélias é essencial para a preservação da biodiversidade fitotelmata e uma vez que esse habitat é ameaçado, a comunidade algal é diretamente afetada, principalmente porque muitas espécies encontradas nessas bromélias são raras (ou até endêmicas). A partir deste estudo o conhecimento sobre algas e cianobactérias de ambientes fitotelmatas bromelícolas foi expandido no Brasil.