Anais CBFic - Volume 1 - 2018

Sociedade Brasileira de Ficologia - SBFic

Publicado em 26/11/2018

Volume 1 - 2019

Título do Trabalho

APLICAçãO DE MéTODOS QUIMIOTAXONôMICOS AO ESTUDO DO FITOPLâNCTON NA REGIãO DA PENíNSULA ANTáRTICA

Autores

CARLOS RAFAEL BORGES MENDES, RAUL RODRIGO COSTA, VIRGINIA MARIA TAVANO

Modalidade

Resumo

Área Temática

1 BIODIVERSIDADE, FILOGENIA E ECOFISIOLOGIA

Data de Publicação

26/11/2018

País da Publicação

Brasil

Idioma da Publicação

Português

Página do Trabalho

http://sbfic.org.br/anais_show/128

ISSN

Aguardando...

Palavras-Chave

Oceano Austral, Península Antártica, Fitoplâncton, Pigmentos, Quimiotaxonomia

Resumo

Com a crescente evidência de aumento da temperatura da superfície do mar no norte e oeste da Península Antártica, é urgente entender o real impacto das mudanças físico-químicas nas comunidades biológicas através de abordagens temporais e espaciais para elucidar tendências e relações entre variáveis ambientais e a biota. Supõe-se que o aquecimento superficial das águas provoque mudanças no tamanho das células do fitoplâncton, variação espacial e sazonal na abundância dos organismos, bem como estimule a atividade microbiana e, consequentemente, a diminuição da disponibilidade de alimento para organismos em níveis tróficos superiores. Ao longo dos últimos anos, as técnicas tradicionais, através do uso da microscopia ótica, usadas no estudo das comunidades de fitoplâncton vêm sendo complementadas por técnicas mais expeditas e analíticas, tais como o uso de biomarcadores taxonômicos e/ou técnicas de detecção remota. Neste contexto, a análise dos pigmentos do fitoplâncton por cromatografia líquida de elevada eficiência (HPLC, high-performance liquid chromatography) tem-se revelado uma importante ferramenta, muito utilizada em estudos sobre dinâmica do fitoplâncton, na quantificação da biomassa e sua composição em classes taxonômicas. O programa CHEMTAX (CHEMical TAXonomy), método quimiotaxonômico usado neste trabalho, é um método que tem sido amplamente utilizado na determinação da composição do fitoplâncton em várias regiões do globo, incluindo o oceano Austral. O Grupo de Oceanografia de Altas Latitudes (GOAL), por meio do Laboratório de Fitoplâncton e Microorganismos Marinhos da FURG, vem atuando ao longo dos últimos anos na região da Península Antártica, realizando estudos sobre a dinâmica das comunidades de fitoplâncton e sua relação com os parâmetros ambientais, utilizando e otimizando métodos quimiotaxonômicos baseados nas informações e concentrações dos diversos pigmentos fitoplanctônicos. Ao longo da nossa série temporal, já com mais de 10 anos (2007-2018) ininterruptos de dados, em semelhança com outras regiões ao redor da Península Antártica, tem-se verificado uma evidente mudança na dominância dos principais grupos de fitoplâncton da região, com o surgimento de florações intensas e permanentes de criptófitas (grupo de flagelados fotossintéticos de tamanho pequeno), em especial na região do Estreito de Gerlache (região mais ao sul da nossa área de amostragem), em detrimento das diatomáceas, as quais são a principal fonte energética do krill antártico – espécie-chave do ecossistema antártico. Apesar de todas estas mudanças representarem processos observáveis, os seus reais efeitos na estrutura das teias tróficas da região ainda são uma incógnita.