Anais CBFic - Volume 1 - 2018

Sociedade Brasileira de Ficologia - SBFic

Publicado em 26/11/2018

Volume 1 - 2019

Título do Trabalho

PLURIATIVIDADE FEMININA E SUSTENTABILIDADE NA PRODUçãO DE ALGAS MARINHAS NO LITORAL CEARENSE (ICAPUí, CE).

Autores

ANDRé DA COSTA SILVA, EVELINE PINHEIRO DE AQUINO

Modalidade

Resumo

Área Temática

2 CULTIVO DE ALGAS E SERVIçOS ECOSSISTêMICOS

Data de Publicação

26/11/2018

País da Publicação

Brasil

Idioma da Publicação

Português

Página do Trabalho

http://sbfic.org.br/anais_show/121

ISSN

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Palavras-Chave

equidade de gênero, autonomia feminina, cultivo de algas, extrativismo sustentável, algas nativas.

Resumo

A atuação comercial das mulheres contribui para o complemento da renda familiar. Aliado a atividades comerciais, as mulheres se destacam nas preocupações quanto ao uso sustentável dos recursos naturais. O trabalho objetivou observar a atuação feminina em diversos setores de produção de algas marinhas, com suas contribuições na transição do extrativismo predatório para a produção sustentável. Foi feita a observação no sistema de produção de algas da comunidade de Barrinha, no município de Icapuí, Ceará. A partir de uma visita técnica ao local, foi realizado um diálogo com Marlí, uma das produtoras de algas, na intenção de desenvolver um relato de atividades, dos anos iniciais até os dias atuais. O diálogo envolveu assuntos como a pluriatividade feminina, o histórico do cultivo, as mudanças do banco de algas local, as preocupações ambientais, a cooperação de projetos e as transformações sociais. Como resultados, foi observado que no local é desenvolvido o projeto “Mulheres de Corpo e Alga”, iniciativa da Fundação Brasil Cidadão, no intuito de aliar a tecnologia com o social e a sustentabilidade no cultivo das algas. Todo o sistema é desenvolvido por mulheres, desde a coleta das algas, até a instalação e monitoramento do cultivo em long-line, tratamento das algas após cultivo, manufatura dos produtos à base de algas, comercialização e divulgação ambiental. Porém, as algas já eram comercializadas, mas com a coleta predatória, sem preocupações quanto a garantia desse recurso natural. As mulheres relatam a escassez das algas no recife para aquela época, o que reduziu a lagosta, camarão e peixes. Além disso, a produção era toda comercializada in natura para o mercado japonês. Após o projeto, a comunidade local foi capacitada para o extrativismo sustentável, percebendo-se a recuperação do banco natural. Com melhorias no sistema de cultivo, as mulheres foram qualificadas para a extração do ágar, para posteriormente servir no preparo de cosméticos e pratos culinários, com o conhecimento dos costumes regionais, além de atrair turistas. Toda essa comercialização acontece até os dias atuais e, conforme relatos, sempre que a pesca não supre as necessidades da família, o cultivo de algas garante a sobrevivência econômica. Devido às inúmeras práticas realizadas pelas mulheres na produção das algas, considera-se um trabalho de pluriatividade feminina, como complemento para a renda, ou mesmo independência financeira. Adicionalmente, através do extrativismo sustentável, as mulheres contribuem para a garantia da conservação do meio ambiente, além da divulgação ambiental no local, junto aos turistas, por exemplo.