Anais CBFic - Volume 1 - 2018

Sociedade Brasileira de Ficologia - SBFic

Publicado em 26/11/2018

Volume 1 - 2019

Título do Trabalho

EFEITO DE UMA FRAçãO POLISSACARíDICA SULFATADA OBTIDA DA ALGA GELIDIELLA ACEROSA NA COAGULAçãO E TROMBOSE

Autores

RENATA LINE DA CONCEIçãO RIVANOR, FRANCISCO DIêGO DA SILVA CHAGAS, ISMAEL LINO NILO DE QUEIROZ, JOãO VICTOR DE MELO PEREIRA, VITóRIA VIRGINIA MAGALHãES SOARES , FRANCISCO LUCAS DE SOUSA LOPES, PAULO ANTôNIO GALINDO SOARES, PAULO A. S. MOURãO, NORMA MARIA BARROS BENEVIDES

Modalidade

Resumo

Área Temática

3 BIOTECNOLOGIA E INOVAçõES

Data de Publicação

26/11/2018

País da Publicação

Brasil

Idioma da Publicação

Português

Página do Trabalho

http://sbfic.org.br/anais_show/106

ISSN

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Palavras-Chave

Galactanas Sulfatadas. Anticoagulante. Antitrombótico. Biomoléculas

Resumo

Algas marinhas são fontes naturais de vários compostos bioativos, destacando-se os carboidratos. Dentre esses polímeros, os polissacarídeos sulfatados são moléculas complexas que tem despertado grande interesse na área biotecnológica. Assim, o objetivo desse estudo foi purificar e caracterizar parcialmente a fração polissacarídica (GaIII) isolada da alga marinha vermelha Gelidiella acerosa e avaliar seu efeito anticoagulante e antitrombótico. GaIII foi obtida por extração enzimática com papaína em tampão acetato de sódio 100 mM (pH 5,0) contendo cisteína e EDTA (ambos 5 mM) e purificado por DEAE-celulose. Posteriormente, a caracterização química parcial foi realizada por Ressonância Magnética Nuclear (RMN) através de espectros 1H-1D. A atividade anticoagulante (in vitro) foi investigada através dos testes de Tempo de Tromboplastina Parcialmente Ativada (TTPA) e Tempo de Protrombina (TP). Para os ensaios de trombose venosa e tendência hemorrágica (in vivo) foram utilizados ratas Wistar (200-250 g; n = 6) (CEUA n ° 5748564/2015). A caracterização química revelou a presença de duas unidades monossacarídicas, uma galactose 4-O sulfatada e uma unidade 3,6-anidrogalactose. GaIII foi capaz de prolongar o tempo de coagulação sanguínea no teste TTPA em 1,7 (59,5± 1,8 s), 1,8 (62,5± 0,5 s) e 2,7 (93,0± 3 s) vezes nas concentrações de 0,1; 0,5 e 1 mg/mL respectivamente, em relação ao plasma controle (34,83 ± 0,05 s). Heparina (2 µg/ml) foi utilizada como controle positivo (>300s). GaIII também prolongou o tempo de coagulação sanguínea no teste TP em 1,2 (17,5± 0,5 s), 2,1 (31,5± 0,5 s) e 2,4 (35,7± 0,3 s) vezes nas concentrações de 0,1; 0,5 e 1 mg/mL respectivamente, em relação ao plasma controle (15 ± 0 s). Heparina (2 µg/ml) foi utilizada como controle positivo (>120s). GaIII reduziu a formação de trombos induzidos por tromboplastina em 41%, 82% e 93%, nas doses de 0,1 mg/kg, 0,5 mg/kg e 1,0 mg/kg, respectivamente. Os animais tratados com salina tiveram peso médio de trombo de 5,02 ± 0,6 mg e foram considerados como 100 % de atividade trombótica, já a heparina (0,05 mg/kg) inibiu a trombose venosa em 63%. Além disso, GaIII não apresentou efeitos hemorrágicos confirmado através do teste do tempo de sangramento, diferente da heparina que prolongou o tempo de sangramento em mais de 6 vezes. Em conclusão, os resultados sugerem que a GaIII é uma galactana do tipo agarana, que apresentou considerável atividade anticoagulante e potente efeito antitrombótico sem causar distúrbios hemorrágicos, podendo ser considerada uma biomolécula promissora no tratamento das desordens tromboembólicas.